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A partir de quando a comunidade católica começou a se confessar (desde os primeiros tempos, ou com a tradição)?

Desde a fundação da Igreja. João Batista foi o sinal que anunciou como seriam os novos tempos: As pessoas, espontaneamente, vinham a ele e pediam o perdão pelos seus pecados e João os batizava como sinal desta conversão do coração.

Na tarde do domingo da Ressurreição, Jesus deu aos apóstolos, e só a eles, o poder de perdoar. E quem não fosse perdoado pelos apóstolos, não seria perdoado: "Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados [por Deus], aqueles a quem não perdoardes os pecados, não serão perdoados [por Deus]" (Jo 20,22-23) e "Tudo o que ligardes na terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, será desligado no céu" (Mt 16,19).

Antes de receber o batismo, a pessoa devia se confessar comumente em voz alta. Depois da confissão, passavam um tempo em penitências, e só então que recebiam o perdão dos pecados no sacramento do batismo. Voltar a pecar depois de batizado era considerada uma coisa grave, gravíssima! Um batizado, pecando! Que escândalo! Se um batizado cometesse pecados graves e se confessasse e pecasse de novo, era afastado da Igreja (excomungado), até que se arrependesse de verdade, e fosse reintegrado.

Assim, nós sabemos que as primeiras comunidades cristãs pediam aos apóstolos o perdão dos pecados. Mas como seria possível ao apóstolo conceder o perdão sem saber se a pessoa está arrependida? Então, era preciso ao apóstolo saber o que foi que a pessoa fez, e verificar se ela estava arrependida.

A maneira que se usava de saber se a pessoa estava arrependida era de pedir à pessoa que, voluntariamente, se fizesse passar por uma humilhação pública, como os "castigos" que se dá nos jogos infantis. Se o apóstolo, percebendo a humilhação auto-imposta da pessoa, via que o seu arrependimento era sincero, concedia a absolvição.

Depois que os apóstolos morreram, seus sucessores legitimamente ordenados continuaram este serviço. Entretanto a forma de ministrar o perdão foi amenizando com o passar dos tempos. A confissão, de pública, passou a ser secreta, e a penitência, que durava meses ou anos e era humilhante, passou a ser feita na forma de esmolas aos pobres ou orações.


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