Desta forma começou o uso da indulgência na Igreja
Muitas vezes os penitentes não
tinham condições de saúde suficiente para cumprir essas penitências tão
pesadas; e isto fez com que a Igreja, com o passar do tempo, em etapas
sucessivas e graduais, fosse abrandando as penitências. Na idade média, a
Igreja, com a certeza de que ela é a depositária dos méritos de Cristo, de
Nossa Senhora e dos Santos, o chamado “tesouro da Igreja”, começou a aplicar
isto aos seus filhos pecadores. Inspirados pelo Espírito Santo, os Papas e
Concílios, a partir do século IX, entenderam que podiam aplicar esses méritos
em favor dos penitentes que deviam cumprir penitencias rigorosas. Assim,
surgiram as “obras indulgenciadas”, que substituíam as pesadas penitencias. O
jejum rigoroso foi substituído por orações; a longa peregrinação, por pernoitar
em um santuário; as flagelações, por esmolas; etc.. A partir daí, a remissão da
pena temporal do pecado, obtida pela prática dessas “obras indulgenciadas”,
tomou o nome de “indulgência”. Nos exemplos das pesadas penitências públicas
citadas acima, elas eram substituídas, respectivamente, por uma indulgência de
sete semanas e por uma indulgência de 40 dias; por isso as indulgências eram
contadas em dias, semanas e meses, porque assim, eram também contadas as
penitências públicas.
Com a reza do Terço, por exemplo,
em qualquer dia do mês de outubro, se ganhava a indulgência de sete anos. No
século IX, os bispos já concediam indulgências gerais, isto é, a todos os
fiéis, sem a necessidade da mediação de um sacerdote. Assim, os bispos
estipularam que realizando certas obras determinadas, os fiéis poderiam obter,
pelos méritos de Cristo, a remissão das penas devidas aos pecados já
absolvidos. É preciso compreender que esta prática não se constituía em algo
mecânico; não, o penitente, ao cumprir a obra indulgenciada devia trazer
consigo as mesmas disposições interiores daquele que cumpria no passado as
pesadas penitências, isto é, profundo amor a Deus e repúdio radical de todo
pecado. Sem isto, não se ganharia a indulgência. Com o passar do tempo, e
principalmente por causa da “questão das indulgências” no tempo de Martinho
Lutero (explicado adiante), no século XVI, as indulgências foram ofuscadas e
tornaram-se objeto de críticas.
No entanto, após o Concílio
Vaticano II (1962-65), o Papa Paulo VI reafirmou todo o seu valor, na
Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina, onde quis claramente mostrar o
sentido profundo e teológico das indulgências; incitando os católicos ao
espírito de contrição e penitência que deve movê-los ao realizar as obras
indulgenciadas, removendo toda a aparência de mecanicismo espiritual que no
passado aconteceu.
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