===========================================
A SEVERIDADE DOS TRIBUNAIS
PROTESTANTES
===========================================
Foram terríveis os genocídios
causados pelos protestantes na Alemanha. A então Alemanha estava dividida em
mais de trezentas circunscrições, cada uma delas com seu próprio Supremo
Tribunal civil e seu Direito particular. A perseguição às bruxas e a severidade
dos castigos, dependiam geralmente dos respectivos senhores de cada região, que
governavam com muita independência e poder quase absoluto.
Dentro de cada região, havia
oscilações pendulares inclusive extremas, segundo os critérios subjetivos do
mesmo senhor e segundo os conceitos das diversas sucessões no poder através dos
anos e dos séculos. Daí a dificuldade em se calcular o número de pessoas
condenadas à fogueira e à forca na Alemanha. Mas, das crônicas e processos
regionais que chegaram até nós, cabe deduzir, que as vítimas se contaram por
milhares. Gardner calcula 9 milhões (1). Morrow simplesmente diz que foram
milhões (2).
W. A. Schoeder, contemporâneo aos
fatos, anotou que nas localidades de Bamberg e Zeil, entre 1625 e 1630, (cinco
anos) se realizaram nada menos que 900 processos de bruxaria. Deles (numa
exceção), 236 terminaram com condenação à morte na fogueira. Só num ano, 1617,
em Wurzburgo, foram queimadas 300 bruxas (3); em total nesta região, as atas
apresentam l.200 condenações à morte (4).
Em 20 anos, de 1615 à 1635, em
Estrasburgo, houve 5.000 queimas de bruxas (5).
Em cidades pequenas como a
imperial Offenburg, que só tinha entre dois e três mil habitantes, se
desenvolveram acérrimas perseguições às bruxas durante três decênios, e em só
dois anos, segundo as atas, foram queimadas 79 pessoas (6).
Segundo o VERITY MURPHY em
16/6/2004, da BBC de Londres, o novo e mais completo relatório da inquisição,
indica que, no auge da Inquisição, a Alemanha protestante matou mais bruxas e
bruxos que em qualquer outro lugar.
Na Suíça, quando protestante, os
casos de condenação de bruxas descritos nas crônicas conservadas, chegam a
5.417 (7). Nos Alpes Austríacos, as mortes chegaram ao menos a 5.000 (8).
Era absolutamente falsa a
afirmação de muitos autores protestantes ingleses, de que a Inglaterra foi uma
exceção dentro da bruxomania geral.
Segundo Ewen, (9), que cita
documentos oficiais, o número de condenados à pena de morte por bruxaria, na
Inglaterra protestante, exatamente de 1541 a 1736, teria sido menos de mil. As
condenações à morte teriam sido menos de 30% das acusações. Mesmo assim, o
comportamento inglês não fugiu ao ditado de que não há regras sem exceções.
Na Inglaterra destacava-se o
protestante Mathew Hopkins que se autodenominava "descobridor geral de
bruxas". Parece que era um sádico encoberto. Quando encontrava uma mulher
que excitava seus instintos sexuais anormais, obrigava-a a despir-se na sua
presença e começava a fincar com uma agulha, as diversas partes do corpo dela
(assim se procuravam áreas insensíveis, o que seria sinal de possessão
demoníaca).
Mas... ele mesmo diante de outros
protestantes, foi acusado de possuir estranhos poderes. Submetido às provas de
bruxaria que empregara, foi condenado e morto (10).
Na Inglaterra não era necessário
aplicar torturas — às vezes se deram! — porque a condenação freqüentemente era
sentenciada sem necessidade de confissão por parte do acusado (11).
Em 1562 a rainha Elizabeth, e a
versão definitiva do Witch Act ou “lei contra os bruxos”, de Jacques I em 1604,
condenavam à morte a pessoa que tivesse feito qualquer malefício pretendendo
acabar com a vida ou danar o corpo de alguém. Mesmo que não se percebesse
efeito nenhum do malefício! Esta lei se manteve em vigor na Constituição até
1736.
Os protestantes do Reino Unido
foram lentos. Na Inglaterra do século XVII, na área da interpretação dos
fenômenos misteriosos ainda grassava a superstição demonológica, e houve várias
condenações. O último juízo por bruxaria foi já entrado o século XVIII, em
1717, (12). E ainda demorariam mais vinte anos para abolir o estatuto inglês
contra as bruxas, em 1736 (13).
A última morte por condenação
como bruxa, na Escócia, foi em 1738. Na Irlanda, a lei contra bruxaria não foi
abolida até 1821!
Em 1863, segunda metade do século
XIX!, o povo inglês ainda linchou um velho por considerá-lo bruxo.
As perseguições protestantes
atravessaram o Atlântico, e chegaram aos EUA. O primeiro corpo de estatutos —
The Body of Liberties — que houve em Massachusetts, é de 1641 (14). Nele se
diz: "Se algum homem ou mulher é bruxo que manifesta ou consulta um
espírito familiar(?), será enviado à morte" (15).
A revisão de 1649 reiterava a
mesma lei com pena capital (16). De sua vigência é um exemplo famoso, “o
processo das bruxas de Salem,” em 1692. Como resquício, ainda hoje em alguns
estados americanos, a pena de morte é vista com naturalidade, aos condenados
gravemente pela justiça. Mudaram apenas os réus e a forma de exterminar.
O pânico da população perante as
bruxas e a ira contra elas, refletem-se no caso de Ann Hibbins. Parece que foi
acusada por motivos meramente socioeconômicos. Era irmã de um rico comerciante
e antigo assistente da colônia, Richard Beilingham, que fora governador da Baía
de Massachusetts. O júri a condenou. Os juizes não aceitaram o veredicto. O
caso foi levado à Corte Geral. Foi fácil incitar a opinião pública. Tanto
pressionaram a Corte que Ann Hibbins foi condenada à morte (17).
Faça Seu Comentário AQUI abaixo!